Guia de substituições: do futebol de 5 ao futebol de 11
Cada formato muda as contas. No futebol de 5, poucos jogadores tornam a rotação mais fácil de acompanhar. No futebol de 9 e de 11, o número de posições e as regras de substituição exigem um plano mais claro.
A tua primeira época como treinador no futebol de 5 pareceu controlável. Um grupo pequeno de crianças, poucas no banco, rodar quando parecia justo. Depois o clube subiu o grupo para futebol de 7, a seguir futebol de 9, depois futebol de 11. A cada passo há mais crianças, mais posições e mais decisões para tomar, e a rotação que resultou no ano passado deixa de chegar.
Cada formato muda as contas. As contas começam no regulamento da tua prova: duração do jogo, número de jogadores e regras de substituição. Em Portugal há dois níveis. A nível nacional, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) define os escalões, de Petiz a Juvenil, e fixa regras de base, como permitir o futebol de 11 só a partir de Infantil. Mas a duração do jogo, o tamanho da convocatória e as regras de substituição são fixados por cada associação distrital (como as associações do Porto, Lisboa ou Setúbal), pelo que variam de distrito para distrito. Este guia percorre o que o futebol de 5, o futebol de 7, o futebol de 9 e o futebol de 11 representam, usando os regulamentos da AF Porto como exemplo concreto, para mostrar como as contas mudam de um formato para outro.
Uma nota sobre os números
A duração do jogo, o tamanho da convocatória e a política de substituições variam não só entre formatos, mas também entre escalões dentro do mesmo formato. A FPF define os escalões a nível nacional, por idade: Petiz (Sub-7), Traquina (Sub-9), Benjamin (Sub-11), Infantil (Sub-13), Iniciado (Sub-15) e Juvenil (Sub-17). O que muda de associação para associação é o formato de cada escalão e as regras de jogo: a mesma idade pode jogar num formato diferente consoante o distrito. Ao longo do guia citamos números concretos e dizemos sempre de que regulamento vêm. Se a tua associação disser outra coisa, é a tua associação que manda.
Futebol de 5 (Traquinas)
No campo: 4 jogadores de campo mais 1 guarda-redes
Convocatória: 8 jogadores neste exemplo (máximo de 12 no regulamento da AF Porto, Sub-8/Sub-9)
Duração: 40 min, em duas partes de 20 (AF Porto, Sub-8/Sub-9)
Bola: Tamanho 4
Substituições: Livres, com regresso ao jogo
O futebol de 5 é um dos primeiros formatos com guarda-redes fixo e posições mais reconhecíveis, logo a seguir aos jogos ainda mais pequenos dos escalões mais novos: no regulamento da AF Porto, por exemplo, os Sub-6 jogam 3 contra 3 e os Sub-7 jogam 4 contra 4, e o 5 contra 5 só aparece nos Sub-8 e Sub-9. A lógica é educativa antes de ser competitiva: campo reduzido, equipas pequenas, substituições livres, tudo pensado para que as crianças toquem muito na bola. Com menos jogadores, é mais fácil acompanhar os minutos e ajustar a rotação.
A matemática: com um grupo pequeno, a rotação é mais fácil de acompanhar. À medida que a convocatória cresce, também no futebol de 5 vale a pena preparar os minutos antes do jogo.
O que funciona: empareja as crianças. Quando uma sai, a outra entra. Podes começar por criar pares de rotação, mas varia-os ao longo da época.
Atenção: quando o jogo está a correr bem, é fácil adiar a próxima rotação e deixar as mesmas crianças mais tempo. Nesta idade, todos precisam de sentir que o jogo também é deles. Roda com tranquilidade.
Futebol de 7 (Benjamins)
No campo: 6 jogadores de campo mais 1 guarda-redes
Convocatória: Máximo 14, mínimo 5 (regulamento de futebol de 7 da AF Porto)
Duração: 2 × 30 min = 60 min, com 5 min de intervalo (AF Porto, Sub-10/Sub-11)
Bola: Tamanho 4
Substituições: Ilimitadas, com regresso livre ao jogo
É aqui que a gestão das substituições se torna mais exigente. Com 14 convocados e 7 lugares no campo tens 7 no banco em cada momento, e o jogo já é suficientemente longo para não poderes esperar que os minutos se repartam sozinhos.
A matemática: 12 crianças, 7 lugares, 60 min de jogo. 7/12 de 60 dá cerca de 35 minutos por jogador. Com uma convocatória mais curta, de 10: 7/10 de 60 são cerca de 42 minutos cada uma.
O que funciona: divide o jogo em quatro blocos de cerca de 15 minutos e dá a cada criança três desses quatro. Escreve isto antes do pontapé de saída. Não tentes calcular com o jogo a decorrer.
Atenção: o tempo na baliza. Se uma criança passa 20 minutos como guarda-redes, "jogou" um terço do jogo, mas não teve o mesmo tempo para tocar na bola e decidir como jogador de campo. Conta o tempo de baliza e o tempo de campo em separado.
Futebol de 9 (Infantis)
No campo: 8 jogadores de campo mais 1 guarda-redes
Convocatória: até 16, mínimo 7 (AF Porto, Sub-12/Sub-13); na prática, 11 a 14
Duração: 2 × 30 min = 60 min, com intervalo (AF Porto, Sub-12/Sub-13)
Bola: Tamanho 4
Substituições: Ilimitadas, com regresso livre
Agora a rotação já precisa de uma estrutura clara. Com 14 convocados e 9 lugares no campo tens 5 no banco em cada momento; se levares 16, como o regulamento da AF Porto permite, as contas apertam ainda mais. Duas partes de 30 minutos dão-te uma janela natural de substituições ao intervalo, mais oportunidades nas paragens dentro de cada parte.
A matemática: 13 crianças, 9 lugares, 60 min. 9/13 de 60 dá cerca de 42 minutos por jogador. Com 14 convocados: 9/14 de 60 são 39 minutos cada um.
O que funciona: planeia dois momentos de rotação ao longo de cada parte e revê o alinhamento ao intervalo. Quantos jogadores trocas de cada vez decide quão próximos ficam os minutos no fim.
Atenção: as mudanças de posição. Fazer rodar jogadores por posições novas é valiosa para o desenvolvimento, mas sem plano podes acabar com várias crianças na mesma posição e sem cobertura noutra zona. Mapeia as posições para cada rotação, não só quem entra.
Futebol de 11 (Iniciados e Juvenis)
No campo: 10 jogadores de campo mais 1 guarda-redes
Convocatória: em muitas equipas, 14 a 18 jogadores; no regulamento da AF Porto (I Divisão), a ficha pode chegar aos 20
Duração: 2 × 40 min = 80 min (Iniciados / Sub-15). 2 × 45 min = 90 min (Juvenis / Sub-17), de acordo com o regulamento distrital da AF Porto.
Bola: Tamanho 5
Substituições: Limitadas. Na AF Porto, até 5 substituições em 3 paragens, sem regresso ao jogo; confirma sempre na tua associação distrital.
É o formato em que as regras de substituição mudam mais o planeamento. O jogo prolonga-se até 80 ou 90 minutos, mas o número de convocados e os limites de substituições complicam as contas, sobretudo porque os jogadores substituídos já não voltam a entrar.
A matemática: o total de minutos permite calcular uma média teórica, mas as regras de substituição limitam o que é possível num só jogo. Com 5 substituições e sem regresso, nem todos os jogadores conseguem terminar com tempos semelhantes: se levares mais jogadores do que os que conseguem entrar, alguns ficam com poucos minutos ou sem jogar. No futebol de 11, a distribuição justa precisa muitas vezes de ser acompanhada ao longo de vários jogos, não só dentro de um.
O que funciona (substituições limitadas): com poucas substituições e sem regresso ao jogo, roda o teu onze inicial de jogo para jogo, não só dentro de um único jogo. Assume que jogadores que ficam no banco terão 15 a 25 minutos num jogo específico, e compensa fazendo-os titulares mais vezes nos jogos seguintes. Conta o tempo acumulado ao longo da época.
O que funciona (se houver regresso ao jogo): em provas ou torneios que permitam substituições com regresso, podes fazer rotação contínua ao longo das duas partes, com 3 a 4 substituições a cada 15 a 20 minutos, e cada jogador atinge confortavelmente 50 a 60 minutos num jogo de 80 a 90.
Atenção: a armadilha de gastar todas as substituições ao intervalo nas competições com limite. Se usares todas ao intervalo, ficas sem margem se um jogador se cansar ou lesionar na 2.ª parte. Espalha as substituições por todo o jogo.
Tabela de referência rápida
| Formato | Escalão | No campo | Convocados (AF Porto) | Duração | Por jogador |
|---|---|---|---|---|---|
| Futebol de 5 | Traquinas / Sub-8 e Sub-9 | 5 (4 + GR) | 4–12 | 2 × 20 = 40 min | todos jogam muito |
| Futebol de 7 | Benjamins / Sub-10 e Sub-11 | 7 (6 + GR) | 5–14 | 2 × 30 = 60 min | ~35–42 min |
| Futebol de 9 | Infantis / Sub-12 e Sub-13 | 9 (8 + GR) | 7–16 | 2 × 30 = 60 min | ~39–49 min |
| Futebol de 11 | Iniciados / Juvenis | 11 (10 + GR) | até 20 | 2 × 40–45 = 80–90 min | varia (ver texto) |
Números orientativos com base no regulamento de futebol de 7 da Associação de Futebol do Porto (Sub-10 e Sub-11, época 2025/26): 60 minutos em duas partes de 30, bola n.º 4, máximo de 14 e mínimo de 5 jogadores, substituições ilimitadas com regresso ao jogo. Confirma sempre as regras da tua associação distrital, porque variam de distrito para distrito. O tempo por jogador parte de uma distribuição equilibrada dos minutos; os teus números reais mudam consoante o tamanho da convocatória, a rotação do guarda-redes e o escalão.
A formação começa pela participação e pela aprendizagem
Mais do que um número mágico de minutos, o que distingue o futebol de formação em Portugal é uma direção clara, definida a nível nacional. Nos escalões de Petiz, Traquina e Benjamin, a FPF enquadra a atividade em encontros lúdicos sem tabela classificativa: a aprendizagem vem antes do resultado. As regras concretas sobre duração, formato, convocatória e substituições dependem depois da associação e da prova.
Na prática, isso traduz-se em formatos pensados para a participação: campos e equipas reduzidos nos escalões mais novos, substituições livres com regresso ao jogo, e competições que, nos primeiros escalões, valorizam o jogar acima do resultado. Vale a pena leres o regulamento exato da tua prova, porque a forma como cada associação distrital protege a participação muda de distrito para distrito, ainda que a direção seja a mesma.
Queres ver como outras federações gerem o tempo de jogo? Consulta o nosso guia das regras de tempo de jogo justo país a país.
O fio condutor em todos os formatos
Independentemente do formato, três princípios valem.
Planeia antes do jogo. Sem um plano, é fácil perder o controlo dos minutos quando o jogo muda. Preparar a rotação antes do pontapé de saída reduz o número de decisões que tens de tomar de cabeça.
Conta o tempo de guarda-redes em separado. Uma criança que joga 25 minutos na baliza e 5 como jogador de campo teve 30 minutos de jogo, mas pouco tempo para experimentar um papel fora da baliza. A baliza é uma posição valiosa, mas os minutos como jogador de campo constroem outras competências. Conta os dois números separadamente.
Usa ferramentas que cresçam contigo. O sistema de pares funciona no futebol de 5, mas quebra no futebol de 11. Cria hábitos desde já, com caderno, folha de cálculo ou aplicação, que sobrevivam à mudança de formato.
Quanto maior o formato, mais difícil fica o cálculo mental. Quando chegas ao futebol de 9, torna-se difícil acompanhar 14 jogadores, duas partes e mudanças de guarda-redes apenas de cabeça enquanto orientas a equipa. É o momento de melhorar a ferramenta, não de desistir. Para mais sobre os métodos que os treinadores usam mesmo durante um jogo, consulta o nosso guia para gerir as substituições sem prancheta. E se ficares tentado por um cronómetro de intervalos fixos, aqui explicamos por que essa abordagem falha na prática.