Gerir as substituições durante um jogo ao vivo sem prancheta

Um guia prático para controlar as substituições quando não podes ficar parado na linha lateral com uma folha de cálculo.

Um treinador olha para o telemóvel junto à linha lateral com quatro suplentes em camisolas numeradas alinhados ao seu lado, a observar o jogo.

Minuto 18. Tens 12 jogadores, 7 em campo e estás bastante seguro de que está na altura de rodar. Mas não te lembras se já fizeste entrar a Alma ou se isso foi no jogo anterior. O pai voluntário que controla o tempo acabou de encolher os ombros. O teu caderno ficou no carro.

Gerir substituições em tempo real é uma das partes mais difíceis de treinar futebol de formação. Não porque o conceito seja complexo, mas porque o fazes ao mesmo tempo que treinas, observas o jogo, gere um banco cheio de miúdos de 8 anos irrequietos e respondes a perguntas dos pais.

Aqui está como os treinadores realmente fazem isto na prática e o que funciona.

Porque é tão difícil gerir substituições ao vivo

O problema de fundo: planear substituições exige pensar com calma, e os jogos ao vivo não te dão tempo para pensar.

Tens de controlar quem está em campo, quem está há mais tempo no banco, quantos minutos jogou cada jogador, quem foi guarda-redes e quem saiu lesionado. Tens de o fazer enquanto a bola está em jogo, os miúdos te perguntam quando vão entrar e o árbitro olha para ti à espera de uma decisão de substituição.

O cálculo mental falha a partir dos 10 jogadores. Isso não é uma falha pessoal, é um limite cognitivo. Os treinadores que garantem ter tudo na cabeça costumam ser os mesmos cujos suplentes acabam com 30 por cento menos tempo do que os titulares.

Método 1: a fila mental

O método mais simples. Não controlas minutos, só a ordem. O jogador que está há mais tempo no banco é o próximo a entrar. O que está há mais tempo em campo é o que sai.

Como funciona: quando fazes uma substituição, o jogador que sai vai para o fim de uma fila imaginária. O que está no início (o que esperou mais) entra a seguir.

Vantagens: não precisas de qualquer material. É fácil de explicar aos treinadores adjuntos e aos pais que ajudam no banco.

Desvantagens: não contempla o tempo como guarda-redes nem as lesões. Se um jogador sair lesionado e voltar, a sua posição na fila fica no ar. E se te distraíres, perdes a ordem.

Ideal para: convocatórias pequenas (8 a 10 jogadores), formatos simples (Futebol 5 ou Futebol 7).

Método 2: a pilha de coletes

Controlo físico com algo que os miúdos já têm: os coletes de suplente ou as camisolas de reserva.

Como funciona: quando um jogador vai para o banco, deixa o seu colete numa pilha ou num sítio concreto do banco. O colete que está mesmo por baixo é o do jogador que está há mais tempo à espera e é o próximo a entrar. Quando entra, o seu colete sai da pilha.

Vantagens: é visual, tangível e difícil de perder de vista. Os miúdos podem geri-lo eles próprios.

Desvantagens: os coletes misturam-se. Os miúdos pegam neles ao acaso. Funciona melhor na teoria do que na prática com menores de 8 anos.

Ideal para: equipas com um pai ou mãe voluntário fixo que possa tratar da pilha.

Método 3: o cronómetro

Usa o cronómetro ou um temporizador simples do telemóvel.

Como funciona: programa alarmes recorrentes com os teus intervalos de rotação. A cada 8 minutos, a cada 10 minutos, o que se adequar ao teu formato. Quando o alarme toca, fazes a próxima substituição. Rodas numa ordem fixa que decidiste antes do jogo.

Vantagens: não precisas de controlar minutos. O temporizador faz isso por ti. Só tens de seguir a ordem.

Desvantagens: as paragens, as lesões e as trocas de guarda-redes quebram o ritmo. Se saltas um alarme, descola toda a sequência. E os ecrãs do telemóvel veem-se mal ao sol.

Ideal para: treinadores que planeiam a ordem de rotação antecipadamente e a respeitam aconteça o que acontecer no jogo.

Método 4: o sistema de pares

Faz par de cada suplente com um jogador de campo. Quando um sai, o outro entra. Pares fixos, intervalos fixos.

Como funciona: antes do jogo atribuis os pares. "Alma e Ben, são par. A cada 10 minutos trocam." Ensinas os miúdos a geri-lo sozinhos.

Vantagens: os miúdos percebem na hora. A partir dos primeiros jogos gere-se sozinho. A tua carga mental baixa para quase zero.

Desvantagens: só funciona se o tamanho da convocatória se dividir bem em pares. Com 10 jogadores em Futebol 7 sobram três e não consegues emparelhar todos. E se um jogador do par se lesiona, o outro fica sem companheiro de rotação.

Ideal para: convocatórias onde o número de suplentes coincide com o de jogadores de campo, ou quase.

Método 5: usar uma app

As apps específicas para substituições calculam quem deve entrar e sair com base no tempo acumulado e depois indicam-te exatamente quando e quem substituir.

Como funciona: antes do jogo introduzes a convocatória e o sistema tático. A app gera um plano de rotação. Durante o jogo, uma contagem decrescente avisa-te quando é a próxima substituição. Tu executa-la. A app regista e recalcula o resto.

Vantagens: adapta-se a qualquer tamanho de convocatória, ajusta lesões e trocas de guarda-redes em tempo real e mantém o tempo acumulado ao longo da época. Sem cálculo mental, sem prancheta, sem coletes.

Desvantagens: precisas do telemóvel na linha lateral e bateria suficiente para todo o jogo. Alguns treinadores não se sentem à vontade a olhar para um ecrã durante o jogo, embora provavelmente já consultes as horas no telemóvel na mesma.

Ideal para: qualquer tamanho de convocatória, qualquer formato. Especialmente útil em Futebol 9 e Futebol 11, onde o controlo manual se torna inviável.

Há uma coisa que convém saber sobre as apps deste tipo. Algumas mostram um calendário estático gerado antes do pontapé de saída: substituição ao 1:15, substituição ao 2:30, substituição ao 3:45, e por aí fora. Se a realidade parte o plano (uma substituição saltada, uma lesão, um jogador que demora a sair), o calendário não se adapta. A app continua a ler da lista original. Acabas a treinar para o cronograma em vez de para a equipa. Procura uma app que recalcule depois de cada substituição. A diferença é a que há entre um temporizador e um plano. Desenvolvemos isto em porque é que o teu temporizador de substituições está a falhar à tua equipa.

O que realmente importa

Seja qual for o método que escolheres, há três coisas que fazem a diferença.

Decide antes do jogo, não durante. Todos os métodos acima funcionam melhor se a ordem de rotação estiver definida antes do pontapé de saída. O treinador que decide "à medida que avança" terá sempre tendência a deixar os jogadores fortes em campo e os miúdos calados no banco.

Comunica o plano aos miúdos. "Entras daqui a 8 minutos" é a frase mais poderosa que um suplente pode ouvir. Transforma a espera ansiosa em expectativa.

Controla ao longo da época. Um jogo com minutos algo desiguais não é problema. Dez jogos com minutos algo desiguais significa que alguns miúdos jogaram 50 minutos menos do que outros ao longo da época. Seja qual for o teu método de gestão ao vivo, revê os totais todos os meses. E não controles só os minutos: controla as convocatórias. São sempre os mesmos miúdos a ficar de fora dos jogos? Isso é um problema maior do que uns minutos desiguais.

A verdade honesta

Nenhum método manual é perfeito durante um jogo ao vivo. Vais esquecer-te. Vais distrair-te. Vais fazer alguma substituição por instinto em vez de pelo plano. É normal. És uma pessoa, e estás a gerir uma dúzia de miúdos num ambiente competitivo.

O objetivo não é a perfeição. É ter um sistema que detete os teus erros antes de se acumularem.