Como dar a cada criança o mesmo tempo de jogo no futebol de formação

Um guia prático para treinadores de crianças dos 5 aos 12 anos.

Um treinador de futebol de formação com uma prancheta fala com os jogadores num dia de chuva, com os colegas alinhados no banco.

Prometeu a cada pai que o filho ia jogar. Agora é intervalo, tem 14 crianças na convocatória e está a tentar fazer contas de cabeça enquanto a bola passa a voar ao lado do seu guarda-redes. Soa-lhe familiar?

O tempo de jogo equitativo é o que está certo no futebol de formação. Também é uma das coisas mais difíceis de executar em tempo real. Aqui fica como o conseguir mesmo.

Porque é que o tempo equitativo importa nesta idade

As crianças dos 5 aos 12 anos estão numa fase de desenvolvimento em que o tempo de jogo se correlaciona diretamente com a aquisição de competências. A criança que passa 60 por cento do jogo no banco não está apenas a perder a diversão. Está a perder toques, decisões e confiança que se acumulam ao longo da época.

A investigação da US Youth Soccer e dos programas de formação da The FA mostra de forma consistente que o melhor preditor do desenvolvimento desportivo a longo prazo é o tempo de jogo acumulado, não a seleção ou a especialização precoce.

Nesta idade, o desenvolvimento importa mais do que a classificação. Os treinadores que percebem isto formam melhores jogadores e mantêm mais crianças no desporto.

O problema matemático

Suponha que treina Futebol 7 com 10 jogadores. São 6 lugares de campo mais guarda-redes, e 3 crianças no banco a cada momento. Um jogo de 40 minutos com duas partes dá 80 meios-jogador para repartir por 10 crianças.

Se quer um tempo verdadeiramente equitativo, cada jogador deveria ter cerca de 28 minutos em campo, sem contar o tempo de guarda-redes. Isso significa rodar 3 jogadores para dentro e para fora em intervalos calculados. Não apenas "ao intervalo".

Com 14 jogadores num jogo de Futebol 11, as contas complicam-se. Tem de controlar quem jogou quanto, quem acabou de sair e quem está há mais tempo à espera. Tudo de cabeça. Enquanto dirige.

Estratégia 1: planeie as substituições com antecedência

Antes do jogo, anote o seu plano de substituições:

  1. Liste todos os jogadores
  2. Divida o jogo em segmentos iguais (por exemplo, quatro segmentos de 10 minutos num jogo de 40)
  3. Atribua cada jogador a segmentos concretos
  4. Imprima, plastifique, cole na sua prancheta

Funciona, mas desmorona-se quando um jogador se lesiona, quando precisa de ajustar taticamente ou simplesmente esquece em que segmento está enquanto trata da queixa de um pai.

Estratégia 2: contagem à medida que avança

Leve um caderno e anote os minutos jogados de cada jogador. A cada 10 minutos, veja quem tem menos tempo e ponha-o em campo.

Melhor do que nada, mas continua a controlar tudo à mão durante um jogo ao vivo. Uma distração e perde o fio.

Estratégia 3: sistema de pares

Emparelhe os jogadores. Um em campo, outro no banco. Trocam em intervalos fixos: a cada 8 minutos, a cada 10 minutos. Simples para o treinador, e as crianças percebem.

Limitação: só funciona perfeitamente quando o tamanho da convocatória é exatamente o dobro do seu alinhamento. Com 10 jogadores em Futebol 7, não consegue emparelhar todos por igual.

Estratégia 4: use uma ferramenta que calcule por si

As apps pensadas para o futebol de formação conseguem calcular planos de substituição em tempo real com base no tempo de jogo acumulado. Introduz a sua convocatória e o seu alinhamento, e a app diz-lhe quem entra, quem sai, e quando.

A vantagem de um cálculo a sério, em vez de um horário fixo definido antes do pontapé de saída, é que o plano se ajusta quando a realidade se mete pelo meio. Um jogador lesiona-se. Salta uma substituição para manter a forma da equipa num momento delicado. Uma troca de guarda-redes altera a rotação. Um horário fixo não consegue recuperar de nada disto. Um plano calculado recalcula e mantém cada jogador no seu sítio.

Essa é a diferença entre um cronómetro e um plano. Um cronómetro conta. Um plano adapta-se. Desenvolvemos isto em porque é que o seu cronómetro de substituições está a falhar à equipa.

Dicas que funcionam, seja qual for o método

Comunique o plano antes do jogo. Diga às crianças: "Hoje todos vão jogar mais ou menos o mesmo tempo. Se estiveres no banco, voltas depressa." Isso reduz a ansiedade e as perguntas do tipo "porque é que o meu filho não está a jogar?" por parte dos pais. Para a conversa mais longa com os pais, consulte o nosso guia sobre como explicar o seu plano de substituições aos pais.

Trate o tempo de guarda-redes em separado. O tempo de guarda-redes não deve contar contra o tempo de campo do jogador. Se uma criança joga 15 minutos como guarda-redes, continua a precisar da sua parte justa de minutos como jogador de campo.

Não castigue com tempo de banco. É tentador sentar a criança que não ouve ou que não se esforça. Entre os 5 e os 12 anos, use outras ferramentas de treino. O banco como castigo ensina às crianças que o tempo de jogo se ganha pela obediência, não que o desporto é para todos.

Faça o controlo ao longo da época, não só de um jogo. Se um jogador falta a um jogo por doença, não precisa de "tempo de recuperação" no seguinte. Mas se as mesmas três crianças têm 5 minutos a menos em cada jogo, isso acumula-se. Uma simples folha de cálculo ou uma função de histórico de jogos resolve o assunto.

Não se esqueça: quem é convocado também conta

O tempo de jogo equitativo dentro de um jogo é essencial. Mas há uma pergunta igualmente importante que a maioria dos treinadores nunca faz. São sempre as mesmas crianças que ficam de fora jogo após jogo?

Um jogador que tem tempo justo quando joga, mas que não é convocado a cada três jogos, fica para trás na mesma. Numa época de 20 jogos, faltar a quatro significa perder 100 minutos de desenvolvimento, por muito justa que seja a rotação quando de facto joga.

Acompanhe as convocatórias ao longo da época, e não só os minutos dentro de cada jogo. Se reparar que faltam repetidamente os mesmos nomes na sua convocatória, é um padrão que merece atenção.

Em resumo

O tempo de jogo equitativo no futebol de formação não é um luxo. É uma responsabilidade. As crianças que mais jogam entre os 5 e os 12 anos não são as "melhores" hoje. São aquelas que ficam no desporto tempo suficiente para se desenvolverem.

O seu trabalho não é ganhar o jogo de sábado. É garantir que cada criança da sua equipa volta para casa a sorrir e a desejar que chegue o próximo sábado.